23/12/2014

Portugal e a "utopia" da sociedade em que insistimos em viver

Vivemos numa espécie de sociedade avessa aos factos e completamente desfasada da realidade, que também insistimos em negar, individual e colectivamente.
Baseamos, as nossas vidas em sociedade e assim forjamos o nosso futuro, não assente em factos, e tão somente damos crédito a narrativas, histórias e argumentações, por mais inverossímeis que nos possam parecer. Nem ousamos sequer pensar criticamente, sobre o que gostamos sempre nos digam.
(Olá amigos do "politico" José Sócrates !!! )...

Desta forma não nos poderemos pois admirar, da ruína a que conduzimos invariavelmente a sociedade em que vivemos e de estarmos a construir um futuro, para nós e nossos filhos, sempre suportados na mentira, e apenas pela simples razão de que não gostamos de ouvir as verdades nem os factos.
A mentira é sempre mais fácil e cómoda de aceitar, mas acreditem - uma sociedade assente quase sempre na mentira (e a mais torpe) é uma sociedade condenada ao fracasso, e até à sua própria destruição.

Será que é pedir muito, de que todos passemos a exigir factos em vez de argumentos, a fazer e exigir que se faça em vez de se dizer ou aceitar o que os outros nos dizem, sem pensarmos sequer ??

Estes são os meus votos de um Novo Ano de 2015, contando com cidadãos que ousem começar a pensar criticamente e também (em minha opinião) o único caminho para que Portugal ainda possa vir a ter futuro.

Boas Festas para todos!

FGonçalves "In" 23Dec2014

(francis.goncalves@gmail.com)

Até hoje o principio de Murphy é infelizmente a única realidade da sociedade insana em que insistimos e nos deixamos (des) governar :

"A democracia consiste em escolhermos os nossos ditadores, depois de nos dizerem o que achamos queremos ouvir" ..

04/12/2014

Ainda o caso do ex-primeiro ministro José Sócrates

Perante tanta opinião e tanta turbulência com a detenção do ex-primeiro ministro eu atrevo-me a perguntar aos cidadãos deste país :
Terá sido preso apenas porque foi encontrado a dar "milho aos pombos " no jardim do marquês??
Este país é surreal.. gritam-se atropelos à liberdade de Sócrates... mas nunca ouvi esta gente defender os milhares de acusados de crimes idênticos ou de penalização muito menor, apenas porque são cidadãos comuns.
Eu sei que vivemos na sociedade dominada pelos media e denominada de medianizada ( eu diria antes mediocratizada ) e de facto a democracia é apenas isto mediatização e mediocratização. Aos deuses tudo, aos cidadãos comuns nada ou seja a pura escravidão.
E a tal ponto esta mediatização se especializou, que os escravos deste sistema são os primeiros a apoiar a sua própria escravidão e menoridade (intelectual) e física. É pois este o estado a que chegámos, por entre uma população que se diz a “mais bem preparada de sempre “ !!
Será esta a democracia e o país de uma justiça igual para todos ? Não é certamente até porque um cidadão comum preso, não tem qualquer hipótese (nem igualdade de direitos) perante a lei, porque simplesmente não tem, a maioria deste povo sequer dinheiro para comer, quanto mais para pagar a sua defesa com advogados e uma justiça cara e complexa. E diga-se também em abono da verdade, propositadamente cara e complexa, para que os fortes se defendam sempre dos fracos.
Como diria Vergílio Ferreira, "Será isto a democracia ?? E eu pergunto também - " E será isto a liberdade e a igualdade de que hoje, quer pelos media, quer pelos cidadãos, tanto se propala aos sete ventos ??
Ou apenas tão somente todos nós estamos a defender ( e pedi-las ) que "somos todos iguais mas há alguns que são mais iguais que os outros ??! “..
Então, certamente teremos chegado finalmente à plenitude de uma civilização do triunfo dos porcos, ou das bestas, como queiram!

Francisco Gonçalves

01/12/2014

Um país cartelizado e com máfias ao velho estilo da máfia siciliana!

O preço do crude está actualmente a níveis baixíssimos (abaixo do 70 dólares ) e nós por cá ?? Pagamos o combustível como se o crude estivesse acima de 120 dólares !!

Será que ninguém se interroga e se indigna com mais este roubo e esta impunidade económica, própria, não de uma mercado e economia de livre concorrência, mas de puros e duros MONOPÓLIOS E CARTÉIS,  só à altura de poderes oligárquicos medievais!

Foi você que criticou a antiga URSS e os países comunistas de concentração da economia nas mãos do estado ?? Então você também é culpado pelo estado a que chegámos !

Sim, porque pior que o poder económico e os bens de produção, se é que lhe podemos chamar isso na actualidade, estarem concentrados nas mãos do estado,  é estarem todos nas mãos dos criminosos amigos dos governantes e donos disto tudo!
E ainda mais grave é quando os vorazes e predadores gestores públicos e privados destroem as empresas e abrem enormes buracos financeiros, os prejuízos são sempre suportados por este pobre povo. Ou seja "privatarizam-se os lucros e socializam-se os prejuízos" ..
Querem exemplos ? PT, BANIF, BES, BCP, BPN, CGD .... (..).. e não irá ficar por aqui...

"Para o triunfo do mal basta que os bons fiquem de braços cruzados." [Edmund Burke].

Francisco Gonçalves

( francis.goncalves@gmail.com )

26/11/2014

Será que os políticos em Portugal são mesmo todos iguais ?

Marinho Pinto à primeira vista até parece ser uma pessoa de bem e com pretensões a ajudar o país a sair deste beco e lodaçal sem fim à vista.
Mas esta sua ideia fixa de sair sempre em defesa de Sócrates (hoje e no passado) é deveras estranha! E nem sequer lhe serviu de lição quando, todo exasperado em 2008, defendeu Sócrates "com unhas e dentes" das (até agora) insinuações de luvas no caso Freeport, e muitas outras de que José Sócrates nunca se livrou, nem mais se livrará, a não ser que prove a sua inocência, o que não me parece hoje sequer plausível.

Não será pois de confiança (??) este senhor, com pretensões às mordomias que ele hoje diz condenar, nem percebo porque vem sempre a terreno em defesa de José Sócrates. Sócrates já tem advogados de sobra e Marinho Pinto não necessitaria, em minha modesta opinião de cidadão activo e atento, de se sujar desta forma.. a não ser que !??

É que eu aprendi, e desde tenra idade e com aquele povo que é sábio, e de quem sou filho genuíno, "que não há fumo sem fogo".. e passados mais de 55 anos de vida, e de vivência em Portugal, quase sempre que vi fumo, confirmou-se haver fogo.

E por favor, não continuem a insultar a minha inteligência e sobretudo não me venham com teses compradas em escaparates do poder, de que "inocentes até prova em contrário", porque sempre em Portugal isto só foi, e é, válido para os poderosos, porque os pobres vão directamente para a prisão sem apelo nem agravo.

Sobretudo, que justiça é esta, onde os pobres não têm sequer dinheiro para comer, quanto mais para pagar a advogados, enquanto os ricos têm a lei sempre do seu lado (*) e todo o dinheiro do mundo para se defenderem e perpetuarem a sua defesa até à prescrição dos seus crimes, e também (esta, a bendita da figura desta prescrição) feita à medida desta gente dona desta "democracia".

Afinal é isto uma democracia ?

(*) E quando a lei não os favorece o suficiente ainda se permitem (oh ignomínia maior, não haverá! ) alterará-la em seu proveito, como terá sido o caso de José Sócrates, e mais recentemente os deputados com a votação e aprovação das subvenções vitalícias, só para mencionar casos recentes.

Francisco Gonçalves "in" Notas Soltas @ 26Nov2014

"Ó respeitáveis enganadores que troçais de mim!
Donde brota a vossa politica,
Enquanto o mundo for governado por vós?
Das pulhaladas e do assassínio! " 

[ Charles de Coster ]

Portugal nas mãos da "esperteza" nacional

Portugal sempre esteve, e está, às mãos de um povo cuja genética e cultura estão rigidamente firmados na "esperteza", em vez da inteligência.
Esta “cultura lusa” tem favorecido sempre a "esperteza saloia" em desprestigio da inteligência, tanto na escola como na sociedade em geral.
Não admira portanto que o povo tome como autentico deus, qualquer idiota que pela sua "esperteza saloia" se tenha guindado a lugares de poder..
É claro que os resultados desastrosos de sempre para a nação, estão à vista de todos !

"Mérito é o que dizeis? Ah, pobre ingénuos! / O dinheiro, esse sim é que é mérito, irmãos. / Apenas os ricos são bons, bonitos, / amáveis, jovens e sábios." [Giuseppe Belli]

Francisco Gonçalves "in" Notas Soltas @ 26Nov2014

Pensar o Meu País !

" ...
.. De repente toda a gente se pôs a um canto a meditar o país. Nunca o tínhamos pensado, pensáramos apenas os que o governavam sem pensar. E de súbito foi isto. Mas para se chegar ao país tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Será que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que não. Nós é que temos um estilo de ser medíocres.
Não é questão de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. Não é questão de se ser estúpido. Temos saber, temos inteligência. A questão é só a do equilíbrio e harmonia, a questão é a do bom senso. Há um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. Há um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado é o ridículo, a fífia, a «fuga do pé para o chinelo».
(..).

Nós somos sobretudo ridículos porque o não queremos parecer. A politiqueirada portuguesa é uma gentalha execranda, parlapatona, intriguista, charlatã, exibicionista, fanfarrona, de um empertigamento patarreco — e tocante de candura. Deus.
É pois isto a democracia? "

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 2

25/11/2014

A impunidade e a imunidade de mãos juntas e sujas !

José Sócrates é um caso de polícia e carrega com ele crimes, que a serem provados, são da maior gravidade, perpetrados por quem devia dar o exemplo, e logo a exigir ainda maior mão pesada da justiça.
Mas não só.. e para além da fuga criminosa generalizada aos impostos e desvios sistemáticos de dinheiros pública na mais perfeita impunidade, e crimes estes praticados na mais ignóbil impunidade e até (pasme-se) aceites socialmente, ainda temos....

.. os auto-designados eleitos dos povo, que albergados, ou antes blindados na casa da "democracia", continuam a cometer diariamente crimes contra o povo que era suposto defenderem e para que foram eleitos, e que recentemente deram maus um triste espectáculo.
O de, na penumbra, terem aprovado novamente a lei das subvenções vitalícias, ou vulgo pensões para os políticos, que ao cabo de uns pares de anos em usurpação de lugares na casa que era suposto ser da democracia, lhes garante pensões generosas, que a grande maioria dos portugueses não consegue ter sequer ao fim  de mais de 40 anos de trabalho e após ter também contribuído com pesadíssimos impostos para o País.

Isto, em bom português, chama-se legislar em proveito próprio e para proveito próprio, e tal como
Sócrates que legislou os perdões para que capitais (na sua maioria ilícitos) e de origem sempre criminosa, regressassem a Portugal, e ele mesmo se beneficiou da lei... 
... pois é hora de criminalizar os que se dizem deputados e defensores do povo, e que ao longo destes 40 anos mais não têm feito do que legislar e actuar quase sempre, e só, em proveito próprio.

E não assobiemos para o ar, pois há anos que Maria José Morgado, e outras figuras como Dr. Paulo Morais da Transparência Internacional, têm afirmado a propósito do enriquecimento ilícito da classe politica, nomeadamente e não só que “a maioria dos políticos conseguem acumular autênticas fortunas e saem ricos da politica, ao fim de uma mera dezena de anos! “. 
Fortunas essas agora também acumuladas, e como puderam aprovar recentemente, com pensões ou subvenções, que são uma afronta a todos os portugueses honestos e íntegros.

E para quando todos nós portugueses de bem pormos cobro a isto?

Francisco Gonçalves "in" Notas Soltas @ 25 Nov 2014.
( francis.goncalves@gmail.com )

"(..). somos produto de dois séculos de falsa educação fradesca e jesuítica, seguidos de um século de pseudo-educação confusa, somos as vítimas individuais de uma prolongada servidão colectiva. Fomos esmagados (...) por liberais para quem a liberdade era a simples palavra de passe de uma seita reaccionária, por livres-pensadores para quem o cúmulo do livre-pensamento era impedir uma procissão de sair, de maçãos para quem a Maçonaria (longe de a considerarem a depositária da herança sagrada da Gnose) nunca foi mais do que uma Carbonária ritual. Produto assim de educações dadas por criaturas cuja vida era uma perpétua traição àquilo que diziam que eram, e às crenças ou ideias que diziam servir, tínhamos que ser sempre dos arredores..." ..
Fernando Pessoa, in 'Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional'

Eu ontem vi uma estrela a brilhar no firmamento de Portugal !

Eu começo finalmente a acreditar em Portugal e este a começar também a mostrar-se perante o Mundo com algum respeito e credibilidade.
Nada me move contra Sócrates ou outra qualquer pessoa, mas não posso (nem nunca pude aceitar) como cidadão deste País que me viu nascer, que os poderosos se tenham vindo a aproveitar dos lugares que conquistaram ( a maioria por bajulação ou caciquismo puro ), para obter benefícios próprios.
E pior, a fazerem leis para os servirem pessoalmente metendo sempre as mãos no erário público. Vivemos em pleno Séc XXI e não na Idade Média e é tempo dos portugueses (TODOS) perceberem o que é de facto uma democracia e que ninguém pode estar acima da lei, e muitos menos tirar partido da sua condição, para obter proventos ilegais e tratamento especial, sempre acima dos outros cidadãos ou de qualquer outro tipo de imunidade.

Ou somos todos iguais perante a lei e igualmente cidadãos de direito ou assumimos de vez que queremos um país "em que todos são iguais, mas há uns que são mais iguais que os outros". Tendo de facto chegado ao mais perfeito estado do Triunfo dos Porcos, ontem finalmente tive um resquício de esperança de que o meu país possa vir a ser um espaço de liberdade e igualdade para todos os cidadãos que nascem neste país, sem qualquer excepção.

Ontem o país teve uma demonstração de que vale a pena acreditar e lutar por um país integro e  que a construção de um melhor espaço de cidadania, de liberdade e de democracia não se compadecem com a inércia que tem caracterizado este povo
Também ontem começou-se algo, e arrisco-me mesmo a antever que nada mais ficará como dantes. O
País precisa, e os portugueses merecem, que este seja "qualquer coisa de limpo e asseado". Pense-se que só ontem (um dia na vida deste país), a nossa credibilidade perante o mundo civilizado (até à data pelas ruas da amargura de um qualquer Burkina Faso), teve um impulso positivo, porventura como nunca nos últimos 40 anos desta malfadada democracia.

É bem sei, uma pequena semente lançada à terra, que poderá florescer se todos nós, povo deste país, também dermos o nosso contributo e a nossa luta sem quartel contra toda a tirania que tem caracterizado os poderes instituídos e os criminosos e corruptos que há sua volta crescem e proliferam, porque nos temos deixado governar mansa e insidiosamente submissos.

Todo nós somos culpados, mas ainda a tempo de nos redimirmos.

Francisco Gonçalves "in" Notas Soltas @ 25 Nov 2014
( Francis.Goncalves@gmail.com )

24/11/2014

As mentiras emocionantes dos nosso políticos

A política é o "reino das opiniões" segundo o filósofo do Apocalipse José Sócrates.

E Aldous Huxley já tinha dito que "uma verdade sem interesse pode ser eclipsada por uma mentira emocionante."

De facto confirma-se que os nossos políticos (TODOS) têm andado a contar a este povo ao longo de 39 anos, MENTIRAS EMOCIONANTES!

10/11/2014

Porque a Burocracia deve MORRER!

(Baseado num artigo do Guru dos negócios Gary Hamel)

Uma terrível epidemia, aflige grande parte da raça humana. O seu nome não é Ebola. É chamada de burocracia, escreve o guru de negócios Gary Hamel em dois artigos na Harvard Business Review.

Esta terrível doença (uma praga devastadora sem antídoto à vista) torna as nossas organizações e empresas (publicas e privadas) em "insípidas, inerciais, incrementais e sem inspiração ... Para encontrar uma cura, vamos ter de reinventar a arquitetura e a ideologia da administração moderna."

Curiosamente, Hamel diz, estes são "dois temas que muitas vezes não são discutidos nas salas nem mesmo nas escolas de negócios. ".

Artigos de Hamel ( aqui e aqui ) fazem parte da série , em preparação para o Fórum Drucker que está a decorrer em Viena, Áustria, em novembro 13-14. (Toda a conferência pode ser vista on-line gratuito com transmissão ao vivo .)

O que é a burocracia?

Hamel  dá-nos uma vívida descrição.

"Estratégia começa o jogo no topo.” O Poder escorre barbara e selváticamente. “.. Grandes líderes designam pequenos líderes. Indivíduos competem por uma pequena promoção. Compensação correlaciona com grau. As tarefas são atribuídas. Os gestores avaliam o “desempenho” e as regras firmemente circunscrevem a discrição”.

A Burocracia "constitui o sistema operativo para praticamente todas as organizações de grande, ou pequena escala no planeta. É indiscutível que a burocracia desativa as nossas organizações “ e torna-as pesos-pesados, a caminho de uma morte lenta e com custos cada vez mais insustentáveis para a maioria da humanidade.
“As empresas não morrem devido à concorrência. Elas é que encontram formas criativas de cometer suicídio” [Sridhar Vembu, empreendedor indiano].

A burocracia é " simples e escalável ", mas" uma responsabilidade profunda "em ambiente “hyperkinetic” de hoje. Ela superpondera qualquer nova forma de pensar e ... perpetua o passado. Ela assenta no poder imutável e cristalizado das hierarquias taylorianas e na obediência cega de mandados a mandadores.. A burocracia desencoraja a dissidência e gera bajuladores.

A burocracia é executada de cima para baixo" por um pequeno grupo de executivos “experientes” que não conseguem amortizar a sua depreciação do capital intelectual. "É semelhante à centralização de estilo soviético e" é o inimigo da resiliência ... Se eles não estão dispostos a se adaptar e aprender,  então toda a organização terá que “obediente” e servilmente manter-se à tona, num estado vegetativo que assustaria qualquer ser dotado de um assombro de inteligência. ".
A Burocracia é dominada pela "ideologia do controlismo" e "adora o altar de conformidade.". Um bom burocrata adora soltar aos quatro ventos que o seu projecto foi realizado “de acordo com as melhores práticas”, mesmo sabendo que nem faz ideia do que isso signifique.

A burocracia é hostil a "povo irregular com ideias irregulares que criam os modelos de negócios irregulares e que geram os retornos irregulares", e assim "aleijados de vitalidade organizacional. E assim encolhem o nosso incentivo para sonhar, imaginar e contribuir. "Isso faz com que as nossas organizações permaneçam entricheirada num núcleo forte e inexpugnável de incompetência gritante e mais ainda assustadora".

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(Imagem e crédito para: istockphoto.com)

A maior mudança corporativa, diz Hamel, não matou a doença da burocracia. "Achataram as hierarquias corporativas, mas não as eliminaram. Temos elogiado alguma capacitação, mas não a distribuição e delegação da autoridade executiva. Temos incentivado os funcionários a falar, mas não lhes permitimos sequer apresentar ideias e menos ainda tentarem definir uma estratégia.

Como ouvi há poucos anos, num banco deste “país sem culpa”, um importante administrador desta organização, em reunião com alguns executivos e quando um destes impelido a dizer algo, começou pela frase “eu penso que … “.  O dito administrador do banco e quadro maçonico, estoirou numa fúria demente, perante o inicio da frase do pobre executivo e vociferou numa raiva incontida.... “VOCÊ NÃO ESTÁ AQUI NEM É PAGO PARA PENSAR, MAS PARA TRABALHAR ..”... Simplesmente grotesco, mas eu assisti a tudo isto horrorizado com o que conhecia ser a burocracia combinada com o mais puro e perverso exercício do poder gratuito e numa demostração de bestialidade medieva, só vista em tempos de escravidão e servidão.
São estas as empresas de Portugal e estes os gestores que ”afundam e destroem qualquer empresa em 12 ou menos meses.” e por puro gozo pessoal e também muitos ganhos, subtraídos à maioria de todo um povo.

Mas, continuando com as opiniões de Hamel sobre porque deve de facto MORRER A BUROCRACIA - “criaram advogados e defensores da inovação (mais como moda do que qualquer outra forma positiva de evoluir), mas não desmantelaram sistematicamente as barreiras que impedem que os trabalhadores sejam marginalizados por ousarem pensar diferente e terem ideias “absurdas”. Nós conversamos (sem parar) sobre a necessidade de mudança, mas não nos ensinaram a ser militantes internos activos. Temos denunciado a burocracia, mas não fomos capazes de a destronar; e agora devemos…!!".

"O que precisamos", diz Hamel, "é um conjunto radicalmente novos princípios de gestão e processos que nos ajudarão a tirar vantagem de escala, sem se tornar numa gestão esclerosada, que irá maximizar a eficiência sem sufocar a inovação, que irá impulsionar a disciplina sem extinguir a liberdade."
A burocracia é uma doença que "nenhuma quantidade de terapia incremental a pode curar." Ela é imune à "renovação proativa de baixo para cima." As suas "estruturas e processos organizacionais são inerentemente tóxicos e intoleráveis para com a mais pequena mudança." É "emocionalmente insípida "e" ignorante quando se trata da galvanização .. da. imaginação e sobretudo de gerir e cultivar a paixão. ". E sem emoção e paixão, não há seres humanos e apenas fragmentos de seres animais capazes de obedecer com o móbil de serem deixados em paz e com uma ou outra promoção pelo meio. Nada distingue esta forma de vida empresarial de um instinto animal descrito por Pavlof.

E continuando com o Guru Hamel..."À medida que os ventos da destruição criativa continuam a reforçar-se, essas enfermidades se tornarão ainda mais debilitantes." A maioria dos "wikis remédios-ideia actualmente recomendadas, incubadoras de empresas, colaboração on-line, “design thinking," liderança autêntica ", et al - são ... Têm demonstrado  não ser mais eficazes do que as dezenas de "correções" que vieram antes deles. ".

O principio de Peter que se resume à seguinte regra “Num sistema hierárquico, todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência. “ e enunciado há já quase um século atrás, continua a ser a realidade e a prática de gestão, como “no tempo dos nosso avós”.. e lá continuamos a fazer as coisas como no tempo dos romanos…
"Para construir organizações que estão aptas para competir no futuro", diz Hamel, "temos de ir mais fundo, muito mais profundo." Temos de "desafiar as nossas crenças fundamentais ... de organizações que ainda estão com práticas puramente feudais no seu núcleo" [Hamel].

"Não há outra maneira de dizê-lo", diz Hamel, "A burocracia deve morrer. Temos de encontrar uma maneira de colher as bênçãos da burocracia de precisão, consistência e previsibilidade a ao mesmo tempo de matá-la ".

Como inventar o futuro

Felizmente, com a sociedade diante de um grande desastre tal, outro artigo da série por Nilofer Merchant, um escritor e empresário, e professor na Universidade de Stanford, diz-nos como poderemos inventar o futuro. "Precisamos mais do que grandes ideias ou palavras expressivas, ou uma visão ultra-clara para inventar o futuro", diz Merchant. "A fim de considerar novas ideias, você tem que estar disposto a deixar de ir aquelas que não lhe servem mais."

"O desafio, no entanto, não é como jogar fora o velho para abraçar o novo. Isso seria loucura ... Em vez disso, o que precisamos é uma maneira de acolher as novas ideias,  criando novos modelos poderosos o suficiente para amolgar o “velho mundo” actual e em desagregação acelerada.  E ninguém pode fazer isso por si só. "

E dá o exemplo de Eric Liu, fundador da Universidade Cidadã, que executa programas concebidos para ajudar a desenvolver as habilidades de cidadania efetiva. A chave é "um objetivo comum e partilhado, com muitas estratégias diferentes, possivelmente, o mais provável opostas para atingir essas metas."

Isto, diz Merchant ", é o" como novo ", de forma colaborativa, que molda as ideias para ser melhor, para ser mais forte, e, finalmente, tornar-se real. Para inventar o futuro, não precisamos de mais ideias, ou melhores palavras, ou visões de direcção, para inventar o futuro.
Em vez disso, precisamos desafiar crenças comuns e interesses arraigados. Precisamos parar de puxar o outro para baixo pelo rabo e, em vez construir as nossas ideias em conjunto. ".
Sobretudo “precisamos de mais coo-petição e colaboração e menos competição (pelo menos a que não é nada sadia nem saudável e mina as sociedades por completo).” FGonçalves (2005)

O caminho para a transformação

Se a burocracia deve morrer, o que temos para substituí-la ? O que poderia ser esta invenção colaborativa do futuro ? Algumas pistas são oferecidas por outro artigo da série por Vineet Nayar, o ex-CEO da HCL Technologies.

Hoje, a tecnologia está criando desafios humanos. "Um, tecnologias digitais encurtaram os ciclos de execução simplificada e com vantagens compactadas construídas sobre bits em vez de átomos. Dois, com o surgimento de organizações especializadas que podem realizar fabricação e logística, suporte ao cliente e serviços pós-venda e de TI, as barreiras à entrada em muitas indústrias caíram. E três, as novas tecnologias tornaram possível mais análises de consumo, maior visibilidade e escala, forçando o abandono de padronização e para ofertas personalizadas e experiências únicas. E “não devemos esquecer que no futuro  a experiência e as emoções são tudo e os produtos tendencialmente desaparecerão..” FG 2008.

Hoje, diz Nayar, "a fórmula vencedora tornou-se: Ideias Inovadoras + proporcionando experiências únicas + Permitindo a Liderança. "Para implementar esta fórmula, uma organização precisa de transformação, por sua vez, envolve a quebra livre de três armadilhas:
" A armadilha lógica . As empresas muitas vezes tem que pensar em fazer o que os outros acreditam que é impossível ... Seus líderes têm que se afastar de passos incrementais, tais como redução de custos, e pensar em saltos gigantescos que irá colocá-los no caminho da transformação. A disrupção é tudo e o fix não muda nada.
" A Armadilha Continuidade ... o melhor talento é geralmente motivado por desafios e como enfrentá-los.
A armadilha Liderança  … a experiência do cliente é suprema, por isso os líderes devem inspirar os funcionários a criar e oferecer experiências únicas batendo em suas ideias".

Desbloquear inovação dos colaboradores através de plataformas digitais

Outra pista para alcançar a transformação e atender o desafio de Hamel de desbloquear esses recursos humanos que estão sendo esmagados pela burocracia, escreve o professor Bill Fischer a partir de IMD, na Suíça, em outro artigo desta série, compreende plataformas de inovação.

"A criação de uma plataforma para a inovação significa autonomia -. E ainda não sacrificar os benefícios de ter uma boa estratégia" as plataformas "prometem um grau de liberdade e empreendedorismo na entrega, mantendo muitas das vantagens de escala e de contexto".

"Se você precisa de uma melhor noção do que eu quero dizer com plataforma", escreve Fischer, "pense sobre o iPad, da Apple (ou o Android da Google), um produto de electrónica de consumo produzido em massa que também oferece uma base sobre a qual outros parceiros podem criar e capturar valor com a sua forma independente produzido aplicações, música, multimédia, livros, etc ( e estamos apenas no começo desta revolução de escala).

A Apple tem mantido um grau relativamente alto de controle sobre como algo é desenvolvido, e mais como o valor pode ser capturado a partir dela, mas o uso e utilidade de sua plataforma excede em muito qualquer coisa que alguém na Apple jamais poderia ter imaginado. Em certo sentido, a Apple tornou-se o produtor em massa de um item de “commodity” que liberta a imaginação de uma comunidade de desenvolvedores, e uma boa parte de sua base de clientes, também ".
E este é apenas o começo, pois a roda da mudança que está a transformar a nossa sociedade das “coisas” ou átomos em bits ainda só agora deu o seu primeiro vislumbre, mas o futuro está já aí ao virar da década ou menos - a economia da conceptualidade.

Fischer dá detalhes de como as plataformas foram introduzidos na ciências da vida dos holandeses e na ciência dos materiais da gigante DSM, e a Haier, home-appliance líder global chinesa.

E não se esqueça de economia

Não se esqueça de economia, escreve Pankaj Ghemawat, professor de Estratégia Global na IESE Business School em Barcelona, ​​em um outro artigo da série. Há coisas que "os economistas sabem que os gestores não (e vice-versa)."
Economistas argumentam que "as catástrofes só acontecem porque as regras do jogo em que as empresas operam deve ser falhado. Os economistas divergem sobre a real incidência destas falhas de mercado e a relação custo-eficácia dos esforços governamentais para as combaters, mas eles concordam amplamente que os únicos fatores que prejudicam o desempenho são externos para as empresas ".
"As empresas e gestão de especialistas, ao contrário, tendem assumir a posição oposta. Eles argumentam que " o mau desempenho é (principalmente) causada por falhas de gestão - especificamente, erros de cálculo de vários tipos - em vez de falhas inerentes ao funcionamento do mercado.

E as prescrições específicas para os profissionais são servidos que são, supostamente para melhorar os lucros privados e o bem-estar público ".
"Nenhuma escola de pensamento, no entanto, tem toda a razão. Nos seus esforços para caracterizar falhas importantes como sendo (para um grupo) sempre falhas de mercado e (para o outro grupo) falhas de gestão, os dois grupos acabam perdendo percepções de cada um. "

Talvez, Ghemawat está sugerindo, a economistas e gestores que devem prosseguir com a ideia radical de Merchant: E que tal falarem uns com os outros e colaborarem?

E não se esqueça, será “inovar ou morrer “..

NOTA:
Este artigo foi traduzido e adaptado por Francisco Gonçalves com base no artigo original que pode ser consultado aqui, escrito por Steve Denning para a revista Forbes, e baseado num par de artigos escritos na Harvard Business Review por Gary Hamel.

Francisco Gonçalves "in" notas Soltas @ 10Nov2014
( francis.goncalves@gmail.com )

Anexos:
A transmissão ao vivo do Fórum Drucker
Não vai a Viena para o Fórum Drucker em 13-14 novembro? Sem problemas! Você pode assistir a toda a conferência, com transmissão ao vivo livre, na sequência de um processo de registo de luz. Os detalhes estão disponíveis aqui.


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